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  • 09/08/2018

    Artigo | Os Desafios da Boa Governança, a Comunicação, a Inovação e a Ética

    Artigo | Os Desafios da Boa Governança, a Comunicação, a Inovação e a Ética

    Caro leitor, você gasta muito com custos desnecessários em seu negócio, recebe muitos atestados médicos, tem recebido muitas multas, ou seus resultados estão muito aquém do que gostaria? Ou ainda você já se sentiu refém do seu negócio? Se a resposta é sim, leia com atenção o texto a seguir.


    Recebo diariamente muitos empresários de diversos ramos de atuação preocupados, pois não sabem ou entendem como lidar com os problemas de seu cotidiano. Empresários e gestores de todos os portes e tamanhos, e das mais diversas atividades, todos parecem possuir um problema em comum, a falta de consciência de que muitas vezes a origem de seus pesadelos pode estar ligada mais às crenças particulares de como os seus negócios devem ser administrados, do que dos sintomas que surgem quando nos reportam sua visão sobre seus próprios negócios.


    Esta visão limitada, muitas vezes é filtrada pela suas próprias vaidades, pela comodidade, pelo temor das mudanças, ou até mesmo por puro desconhecimento, o que lhes impedem de enxergar a realidade como de fato é, e é esta visão míope de muitos empresários e gestores a causa do insucesso dos seus negócios. É muito mais difícil aceitar as próprias limitações, até por que a sociedade lhes impõe esta postura de serem “arrimos”, verdadeiros empreendedores e provedores do sustento de sua família e seus empregados, do que ter resiliência e a humildade necessária para saber que o mundo de hoje não é mais o que vivemos ontem, e as mudanças nesta era que vivemos, chamada da “era de informação” trará rapidamente desafios nunca antes imaginados às todos os ramos de negócio.


    Quem diria até alguns anos atrás, que a maior empresa de transporte de pessoas individuais do mundo, que não é uma cooperativa de taxistas, nem uma empresa de ônibus, mas uma empresa que sequer possui um veículo próprio, e que só presta este serviço, pois teve a revolucionária ideia de aplicar o conceito de economia disruptiva, como é a UBER? Ou que a concorrência que mais assusta os estabelecimento de hospedagens devido ao número crescente de diárias vendidas em todo o mundo, não pertence à uma cadeia de hotéis, mas uma empresa de software, como verifica-se da AIRBNB.


    Verifica-se também o incremento da cobrança sobre os empresários, lhes impondo mais obrigações, tanto econômicas, como administrativas, além da adoção de posturas éticas que respeitem, não só os consumidores, mas seus funcionários, seus clientes e toda a sociedade, cumprindo a função social do negócio previsto na Constituição, sem deixar de lado os denominados direitos supra individuais, como o direito ao meio ambiente (lato senso), cada vez mais ressaltados nos dias atuais.


    Diante destes desafios e dos que virão pela frente se faz necessária para uma boa governança, que o empresário esteja ciente de que suas atuais e futuras atitudes e crenças serão determinantes para o sucesso de seus negócios. A transparência de suas ações e decisões trará segurança na implementação das mudanças necessárias, e tranquilidade aos seus colaboradores, na medida em que terão ciência de todo o processo evolutivo e que suas expectativas serão satisfeitas, além da adequação à toda legislação, fato que disseminará uma mensagem de solidez em sua cultura organizacional e ensejará efeitos de dentro para fora e posteriormente de fora para dentro dos limites de seu estabelecimento, tarefa também para os departamentos de compliance ou assessores jurídicos encarregados desta área.


    Igualmente o efeito interno da adoção de condutas éticas é a redução drástica com os custos variáveis de produção, seja pela diminuição dos desvios de materiais, diminuição da entrega de atestados, faltas de funcionários, subornos internos, além da diminuição do recebimento de ações judiciais, sejam trabalhistas, dos consumidores, dos parceiros, enfim de todos os stakeholders envolvidos no processo produtivo do modelo de negócio da empresa, que faz melhorar os resultados do negócio.


    Existe ainda outra alternativa viável sob o ponto de vista financeiro, ainda pouco utilizada, quando se olha para o cotidiano das micro e pequenas empresas, ou as que não tem capital disponível para manter um departamento exclusivo de compliance, nem contratar uma auditoria externa, me refiro ao mentoring empresarial, este é um serviço relativamente pouco utilizado, que pode ser customizado a todos os tamanhos de empresas e necessidades, que tira toda a gordura dos serviços, tornando-os economicamente mais degustáveis, sem comprometer os resultados entregues e pode ter caráter preventivo ou corretivo. Fazendo uma analogia, seria um serviço equiparado ao de um alfaiate que customiza um serviço exclusivo para o cliente especial utilizando ferramentas padronizadas, de acordo com uma necessidade específica.Mas o que é o mentoring empresarial? Os autores que estudam esta técnica a descrevem como a ação de influenciar, aconselhar, ouvir, ajudar e clarificar ideias, ou seja guias as escolhas.


    Para tanto se faz necessário que o empresário saiba qual a necessidade mais urgente, e tenha intenção de desenvolver e implementar um conhecimento mais claro da missão do seu negócio, das regras que entende como mais adequadas para atingir seus objetivos, da real cultura organizacional de sua empresa, e as regras de benefícios e gratificações que todos os envolvidos neste processo poderão se beneficiar se atingirem os objetivos empresariais, muitas vezes necessitando cortar da própria carne. As grandes empresas constituem estas normas de conduta em seus Códigos de Ética, que são as Bíblias de seus negócios, e fazem com que todos os funcionários conheçam e pratiquem tanto dentro como fora da empresa, tornando-os verdadeiros embaixadores de sua empresa, suas marcas, produtos e serviços.


    A adoção destas condutas éticas, num primeiro momento pode parecer contrário aos resultados financeiros da empresa, em virtude da pressão sofrem para bater as metas de resultados, e não raro existem situações que a margem bruta deverá ser comprometida levando-se em conta uma estratégia de longo prazo, contudo se verifica nas diversas empresas, que a adoção da boa governança com prática de condutas éticas, aliada ao mentoring eficiente torna-se uma vantagem competitiva para estas empresas, como o exemplo da VOLVO que preza pela segurança de seus consumidores como quesito fundamental na construção de seus veículos, estratégia que gera um efeito positivo nos consumidores que optam pela marca quando preocupados com esta característica, fato que faz com que a Volvo neste quesito possua uma vantagem estratégica frente à concorrência.


    Diversas são as oportunidades que poderão aparecer aos mais variados negócios, cabendo aos empresários e gestores observar onde estão os pontos que podem ser o diferencial de seus negócios, como o exemplo das empresas eco-friedly, as inovadoras em tecnologia, as que ditam tendências de moda e saúde. Até a próxima.


    ANDRE FATUCH NETO

    OAB/PR 46.128

    ANDRE FATUCH ADVOCACIA

    Sócio Fundador

    Mestre em Direito Empresarial, Advogado e Bacharel em Administração de Empresas.